Oi gente, acabei de ver o filme Jogo de poder, conta a história de uma agente secreta da cia que teve sua identidade revelada. O início da guerra no Iraque, muito interessante, e acabei pesquisando na internet sobre a agente pra ter mais detalhe da verdadeira história, a maioria das paginas que falam sobre o assunto são em inglês, entao achei um resumo em um blog do livro, e vou postar pra voces.
FONTE: PROSAENCANTADA.BLOGGER.COM - Escritora: Ana Lú Santana.
FONTE: PROSAENCANTADA.BLOGGER.COM - Escritora: Ana Lú Santana.
"Jogo de Poder" (Valerie Plame Wilson)
Oi, gente, como eu tinha prometido, estou agora postando finalmente a resenha do livro Jogo de Poder.
Apesar de não ser uma leitura fácil, afinal não é uma ficção, nem foi
escrito neste estilo, é uma obra indispensável para se compreender um
pouco melhor o mundo em que vivemos e todos os acontecimentos que estão
em jogo nos nossos dias. Vale fazer um esforço, e tenho certeza que o
leitor vai ficar tão indignado quanto eu com os fatos que deram origem a
esta história!
Neste
livro a autora faz um retrato cru e realista da administração Bush e
revela o grau de distorção, por parte da Casa Branca, das informações
coletadas e analisadas pela CIA, de modo a justificar o início da Guerra
do Iraque no dia 20 de março de 2003. Valerie Plame era então uma
agente desta unidade de inteligência, tinha profunda fé em seu trabalho e
alimentava uma lealdade inquestionável ao seu país.
Valerie
é filha de um ex-oficial da Força Aérea e seu irmão serviu os Estados
Unidos na Guerra do Vietnã, na qual foi quase morto e chegou a perder o
braço direito, posteriormente restaurado após inúmeras cirurgias. Na
época a família refletiu profundamente sobre a legimitidade deste
confronto bélico, o qual se desenrolava sem a autorização oficial do
governo norte-americano.
Meu
irmão, Robert Plame, 16 anos mais velho do que eu, alistou-se no Corpo
de Fuzileiros Navais em 1966 e, imediatamente, foi enviado para o
Vietnã. Um dia, em 1967, quando meus pais e eu voltamos das compras para
casa, os vizinhos nos disseram que dois Fuzileiros fardados tinham
batido à nossa porta. Descobrimos que Bob tinha desaparecido em ação.
(...) Suportou anos de operações múltiplas e dolorosas para restaurar
pelo menos um pouco do sentido do tato no seu braço. (...)
Mas
a experiência contribuiu para uma mudança silenciosa nos pais de
Valerie, especialmente seu pai, Samuel Plame, coronel aposentado da
Força Aérea e comandante de esquadrão. (...) “meu marido ficou
desiludido por causa do Vietnã”, (Diane Plame) inclusive devido ao fato de os Estados Unidos estarem lutando lá sem que o presidente tivesse efetivamente declarado guerra.
A
protagonista e narradora desta obra autobiográfica provém de uma
linhagem familiar tradicionalmente ligada ao serviço público, e após se
graduar na Universidade Estadual da Pensilvânia, ela consegue ingressar
nas fileiras da CIA, em uma época na qual seus dirigentes procuravam
democratizar o acesso a esta comunidade, à procura não de membros da
elite dos Estados Unidos, mas sim de jovens brilhantes que fossem
selecionados por seu próprio mérito.
Era
a década de 80 e o país estava sob a liderança do Presidente Ronald
Reagan, enquanto a CIA era dirigida pelo polêmico William Casey,
anticomunista radical em plena Guerra Fria. Apesar de sua ideologia
questionável, até hoje muitos o veem como o melhor gestor da comunidade
de inteligência.
Valerie
era conhecida entre os colegas como Val P. e antes de se tornar uma das
melhores agentes da instituição ela passou por um rígido treinamento,
primeiro na esfera teórica, depois na prática, que na época transcorria
em uma localidade rural denominada Fazenda. Sua primeira missão na DO,
Divisão de Operações, para a qual raras mulheres eram destinadas, se deu
em Atenas, em um período conturbado e marcado por ataques do grupo
terrorista N17 ou 17 de Novembro.
Em
alguns casos, como nos dos terroristas, os funcionários do Bloco
Oriental (durante a Guerra Fria), (...) indivíduos associados à
proliferação de armas de destruição em massa, não havia dúvidas de que
convencê-los a fornecer aos Estados Unidos informações privilegiadas era
da mais alta importância para nossa segurança nacional.
Após
concluir seu trabalho na Grécia ela é chamada de volta pela CIA e
estabelecida em sua sede na capital, Washington. É então que Valerie
decide se tornar uma NOC, ou seja, uma agente secreta sem imunidade
diplomática. Esta modalidade de espionagem exige um desligamento total
das funções estatais, uma formação no campo político e a cuidadosa
criação de uma fachada empresarial – no caso de Valerie, uma consultoria
na área energética.
Depois
de passar por todas estas etapas, que inclui dois mestrados, um na
Faculdade de Economia e Ciência Política de Londres e outro no Colégio
da Europa, em Bruges, na Bélgica, Valerie inicia sua nova carreira de
espiã neste país, até ser repentinamente levada de volta para os Estados
Unidos em 1997. É quando ela conhece seu futuro marido, o embaixador
Joe Wilson.
Joseph
C. Wilson IV era ex-embaixador dos Estados Unidos no Gabão, e, agindo
como embaixador americano no Iraque, foi o último diplomata americano a
se encontrar com Saddam Hussein. (...) Wilson lembra-se da noite em que
ele conheceu Plame, na recepção, como uma ocasião encantadora a ponto de
ser surreal. (...).
Eu
estava de pé de um lado do salão, e literalmente terminando de
contornar a sala, cumprimentando as pessoas... quando, olhando para o
outro lado, vi aquela loura belíssima... e literalmente, na mesma hora,
parei de ouvir o barulho das 300 pessoas falando em torno de mim. Só
conseguia ver aquele sorriso imenso; ela atravessou o salão flutuando.
(...) a essa altura ele já havia literalmente se apaixonado por ela.
Joe
é especialista em países africanos e do Oriente Médio, por seu trabalho
exaustivo nestas regiões, principalmente no Gabão e no Iraque. Após o
casamento ele se muda para Washington e passa a atuar como consultor do
Presidente Clinton em assuntos africanos no Conselho de Segurança
Nacional.
Na
primeira gestão de Bush o trabalho de Valerie concentra-se
contraproliferação de armas de destruição em massa, pois neste período
ela integra ainda como agente secreta a CPD, divisão responsável pela
investigação dos países considerados fora da lei, os quais se esforçam
para deter a tecnologia e o material necessários para a produção de
armas nucleares, biológicas e químicas.
No entanto, aquele grupo reduzido e inexperiente tinha a incumbência de acompanhar (censura) pesquisas
e compras para armamentos de destruição em massa (ADMs) e desenvolver
operações do zero que poderiam abrir uma janela desesperadamente
necessária para observação dos programas suspeitos de visarem à produção
de ADMs. (...) A tarefa que tínhamos pela frente era monumental, mas o
grupo era pequeno, destreinado e anêmico.
Em breve pediram-me para assumir o cargo de Chefe de Operações (censura).
O fato de a gerência da CPD ter escolhido uma mãe que trabalhava meio
expediente para desempenhar um papel de liderança tão crítico me
surpreendeu e me deixou emocionada. Afinal, talvez os dinossauros
estivessem mesmo morrendo.
Neste
contexto surge um misterioso relatório do serviço de inteligência
militar italiano afirmando que o governo iraquiano havia adquirido cinco
toneladas de óxido de urânio de um pequeno país africano, o Níger.
Apesar das desconfianças da CIA com relação a sua veracidade, ele atrai a
atenção do gabinete do vice-presidente, pois Bush anseia por uma
evidência que justifique a invasão do Iraque.
![]() |
| Valerie Plame e Joe Wilson |
Joe,
por sua proximidade com a minúscula nação africana e por já ter
contribuído em 1999 com a CIA, passando justamente por esta região para
uma investigação semelhante, aceitou fazer novas pesquisas neste país em
2002. Seus relatórios, porém, deixaram claro que não havia nenhum
indício de compra de urânio por parte de Sadam no Níger.
Pelo jeito, esse alguém havia informado que estavam intrigados com um relatório de inteligência que o governo italiano (censura) tinha passado para o governo americano (censura). No
relatório constava que, em 1999, o Iraque tinha procurado comprar óxido
de urânio, (...) a matéria-prima usada para o processo de
enriquecimento de urânio, do país subdesenvolvido do Oeste Africano,
Níger. (...)
Ambos
concluíram que era falsa a alegação de que teria havido venda de óxido
de urânio ao Iraque. O relatório de Joe apenas corroborou e reforçou
algo que já era do conhecimento de todos.
Na
mesma ocasião, conforme se intensificam os esforços de guerra, Valerie
percebe a gradual politização do serviço de inteligência, o qual passa a
ser pressionado pela Casa Branca para oferecer informações, mesmo
distorcidas, que lhe permitam finalmente dar início a um confronto
bélico.
É
neste contexto que o Presidente inclui em seu discurso sobre o Estado
da União, no dia 28 de janeiro de 2003, as dezesseis palavras que
justificarão, diante do povo norte-americano, a entrada dos EUA no
Iraque. Contrariando as investigações de Joe Wilson, Bush afirma que o
Iraque comprou urânio do Níger, o que convence a todos da existência
real de armas de destruição em massa neste país, as quais, aliás, nunca
foram encontradas.
No
dia 28 de janeiro de 2003, o presidente fez seu discurso sobre o Estado
da União. (...) O Estado da União é talvez o mais importante discurso
que o presidente faz anualmente, ainda mais quando uma possível guerra é
iminente. (...) De repente, ele já estava dizendo que “o governo
britânico descobriu que Saddam Hussein recentemente adquiriu quantidades
significativas de urânio na África”. O quê? Será que eu tinha ouvido
bem? O relatório do Joe (...) não tinha provado que isso não era
verdade?
Quando
Joe decide contar a verdade em um artigo publicado em veículo de grande
circulação, a Casa Branca passa a desacreditá-lo diante da mídia e da
população, revelando a identidade de Valerie Plame, o que até então era
considerado um crime, para alegar que ele teria ido à África apenas
porque sua esposa trabalha na CIA; assim, ele conquistou a mordomia de
viajar ao Níger com tudo pago. Uma ironia – afinal, quem escolheria
justamente esta região da África para fazer turismo?
Valerie
narra com paixão e convicção o calvário pelo qual ela e sua família
passam a partir deste momento. Sua revolta, a decepção com o país e a
própria comunidade à qual serviu por tanto tempo, o medo de uma
retaliação contra os familiares, especialmente seus gêmeos, hoje com
sete anos, se aliam a sua coragem e determinação, a sua sede de justiça e
à crença que ela ainda alimenta em sua terra natal e nas suas
instituições.
No
nosso quarto, os primeiros sinais de luz matinal começavam a se
manifestar, no dia 14 de julho, quando Joe entrou, marchando, deixou o
jornal sobre a cama (...).
Sentei-me
na cama, acendi o abajur e abri o Washington Post na página do Op-Ed
(...). Robert Novak dizia, na sua coluna, que “Wilson nunca trabalhou
para a CIA, mas a esposa dele, Valerie Plame, era agente da CIA, da
força-tarefa de armas de destruição em massa”. As palavras estavam
estampadas naquela página, preto no branco, mas eu não consegui
assimilá-las. Senti-me como se tivesse recebido um soco no estômago, com
toda a força. (...) Foi uma experiência surreal.
Seu
testemunho indica a clara decadência sofrida pelos Estados Unidos ao
longo das duas administrações de Bush, que ecoam ainda hoje no governo
do Presidente Barack Obama. Mas nem Valerie nem John perderam a fé no
futuro do país, e mais do que nunca eles acreditam no poder das novas
gerações para mudar este cenário e recolocar a nação em seus eixos. Este
é um dos principais objetivos desta obra.
Apesar
de ter sofrido inúmeros cortes por meio da intervenção da CIA, da qual
Valerie se desligou em 2006, o livro conserva a compreensão e a
coerência narrativa; os poucos lapsos de entendimento são compensados
pelo Posfácio, escrito pela jornalista Laura Rozen, que esclarece
qualquer dúvida do leitor quanto à sequência dos acontecimentos.
As tarjas em várias páginas do livro Jogo de Poder
indicam os trechos que a CIA ordenou que fossem excluídos. Mesmo com
esses cortes substanciais, porém, acreditamos que o livro passa toda a
força da história da sra. Wilson, embora, infelizmente, sem todos os
detalhes. (...) Baseado em entrevistas e fontes públicas, ele (o posfácio),
acrescenta ao tema um pano de fundo histórico e relata partes da vida e
da carreira da sra. Wilson que ela mesma não pôde incluir no livro.
Além
disso, alguns documentos importantes estão presentes no Apêndice, para
maiores informações do público. Apesar da leitura não ser fácil, pois
não se trata de um romance, ainda assim vale a pena, pois nos dá uma
visão mais ampla e clara do mundo em que vivemos.
Hoje
Valerie e Joe Wilson residem em Novo México, nos Estados Unidos, ao
lado dos filhos. A autora ainda move um processo contra os acusados pela
violação de sua identidade secreta e outro contra as censuras impostas
pela CIA, que vão além das questões de segurança nacional.
Autora: Valerie Plame Wilson
ISBN: 978-85-98903-25-5
Assunto: Biografia
440 Páginas;
Preço: em definição
Capa: brochura;
Formato: 16,0 cm x 23,0 cm
Editora Seoman, 2011



Comentários
Postar um comentário