*****Dor do Leproso*****

O ano foi 1979, e estava num lugar onde nunca imaginava ter chegado. Havia viajado com um time evangélico de futebol para jogar contra várias aldéias do interior da Costa do Marfim, África. Ao mesmo tempo iríamos pregar o evangelho, e aquele dia foi minha vez. Como jovem de 20 anos, estava pregando pela segunda vez na minha vida. Falava através de DOIS intérpretes–de inglês para francês, e de francês para o dialeto local. Mas não foi nada disso que me impressionou naquele dia, mas, sim, o meu auditório. Meus ouvintes eram pessoas leprosas.

Nunca vou me esquecer da senhora que entrava na igreja engatinhando nos cotovelos e joelhos (faltava-lhe braços e pernas). A imagem do pastor daquela igreja está para sempre gravada na minha mente: um senhor quase cego, também faltando braço e pernas, mas que constantemente pregava Jesus.

Depois daquela experiência, pesquisei um pouco sobre a doença de lepra, (hoje conhecido como “Mal de Hansen) e descobri algo muito interessante. Os danos pessoais que o leproso experimenta não são causados pela doença em si, mas como conseqüência indireta da doença. Simplificando, a lepra causa uma insensibilidade à dor, levando a pessoa atingida a não perceber feridos e outros problemas físicos. O resultado? Sem este sinal de dor, o corpo é prejudicado a tal ponto que perde dedos, pés, braços, orelhas. Uma coisa tão simples como a falta de circulação no pé, que causa uma pessoa normal a sentir o pé “formigando”, pode levar à morte circulatória do pé.

“A dor do leproso”, ou melhor, a falta de dor, causa grandes prejuízos físicos. Mas a minha experiêcia naquela vila africana me fez pensar em outro prejuízo. A Palavra de Deus nos diz “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Pv 3:11,12). A disciplina bíblica, produto do amor de um pai, visa providenciar “nervos espirituais” para o filho. A “dor artificial” ajuda o filho a entender que desobediência, rebeldia, mentira e outros pecados são altamente prejudiciais para sua saúde espiritual. O pai que recusa disciplinar seu filho é culpado de criar um “leproso espiritual”.

Infelizmente, muitas vezes fugimos da dor da disciplina e perdemos seu valor. Jovem, você percebe como a disciplina de seus pais em sua vida tem visado seu bem? Tem louvado a Deus por pais que se preocupam o suficiente com sua vida para te corrigir? Vê como o amor de Deus Pai em Seu Filho Jesus não permite que você fique estagnado, parado no tempo, mas que providencia pais (e outras pessoas) ao seu redor para te “estimular ao amor e às boas obras” (Hb 10:25)?

Por isso Provérbios também nos alerta, “Estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (29:15).

O pai que ama sua popularidade mais que ama seu filho; o pai inseguro, que teme perder o amor do filho; o pai infeccionado por conceitos psicológicos e anti-bíblicos; o pai que nunca teve o privilégio de uma instrução bíblica sobre correção no lar; o pai ausente ou negligente; todos estes que deixam de corrigir seus filhos correm o risco de criar leprosos espirituais.Provérbios nos alerta que “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina” (13:24). Por isso, pais, temos que disciplinar nossos filhos. Por isso, jovens, precisamos receber a instrução e crescer em sabedoria.

Os pais que não seguem o conselho divino sobre criação de filhos também põem seus filhos em grande perigo de morte prematura, tanto física como espiritual: “Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a alma do inferno” (Pv 23:13,14; cp. 19:18). Há precedente suficiente nas páginas da Bíblia para nos alertar contra esta possibilidade. Eli, Samuel e Davi, às vezes conhecidos como homens de Deus, perderam seus próprios filhos justamente pelo fato de não discipliná-los biblicamente. Os filhos morreram como “leprosos espirituais” pois nunca tiveram a expressão de amor paterno através da administração cuidadosa da vara e repreensão.

Sem dúvida alguma, o alto índice de maltratamento de crianças deve nos assustar e alertar contra o mesmo. Mas disciplina bíblica com a vara não significa espancar uma criança. A vara não deve ferir, mas, sim, arder (geralmente na poupança, o lugar propício por ter “forro” suficiente para proteger a criança).

O fato de que algumas pessoas abusam o princípio bíblico não deve nos levar a jogar fora o princípio. Se algumas pessoas são comilões não significa que vou parar de comer. Se um amigo meu morreu num acidente de carro, ainda vou dirigir, se bem que com mais cuidado. Não disciplinar seu filho somente porque algumas pessoas abusam o princípio bíblico simplesmente não faz sentido.

O produto de disciplina bíblica não pode ser super-estimado. “Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” (Pv 29:17). Quando foi a última vez que você viu um pai que não disciplina seus filhos “descansado”? Muito pelo contrário! Infelizmente, a criança não-disciplinada que é difícil enquanto pequeno cresce para ser insuportável mais tarde. Como Provérbios diz, “A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (29:15).

Mas a criança disciplinada biblicamente “dará delícias” aos pais. É interessante notar que a palavra “delícias” foi usada de comidas finas e luxuosas, a comida de reis (Gn 49:20, Jr 51:34). Quem começa cedo a corrigir seu filho e continua firme participará de um “banquete real” como convidados de seus próprios filhos. Jovem, você tem dado “delícias” aos seus pais? Em você mesmo você não é capaz disso. Mas se Jesus habita em você pelo Seu Espírito, Ele mesmo é capaz de tornar você uma bênção na vida dos seus pais.

Quando visitei aquela colônia de leprosos, tive muita pena das pessoas que já perderam tanto pela falta de sensibilidade física. Hoje tenho bem mais pena de crianças cujos pais recusam administrar “dor espiritual” para que não sejam leprosos espirituais. Os resultados desta insensibilidade são eternos.

Pr. Davi Merkh está casado com sua esposa Carol a 22 anos e têm 6 filhos. Leciona no Seminário Bíblico Palavra da Vida, ministra como pastor auxiliar de exposição bíblica na Primeira Igreja Batista de Atibaia, e é autor de 14 livros com temas voltados para ministério criativo e o lar cristão pelas Editoras Hagnos e Atos. 

FONTE: BLOG - http://nazareneblogs.org

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